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Durante o Paleolítico superior, grupos humanos percorreram sazonalmente o planalto das Pedras Altas (Olgas, Almendra, Vila Nova de Foz Côa), caçando grandes herbívoros que buscavam a água resultante do degelo primaveril. Há cerca de 28.000 anos, aí deixaram vestígios de lareiras construídas com pedras recolhidas localmente.
As fracturas provocadas pelo calor demonstram, nas lareiras de maior dimensão, uma exposição a temperaturas superiores a 400º: associavam-se ao processo de conservação e tratamento de grandes quantidades de carne obtida em caça organizada.
Fogueiras mais pequenas, escavadas em fossa, conservam pedras cujas fracturas são típicas do arrefecimento provocado pelo contacto com líquidos. Deverão relacionar-se (comparando com dados etnográficos), com a extracção do tutano de ossos, a partir da introdução em líquido aquecido.

 

O sítio arqueológico da Cardina localiza-se na margem esquerda do rio Côa, a cerca de 3Km a montante dos núcleos de gravuras rupestres paleolíticas da Penascosa e Quinta da Barca. Os vestígios recolhidos neste sítio são atribuíveis ao Magdalenense superior ou final, de cronologia compreendida entre 12.000 e 10.00 BP; ao Proto-Solutrense (cerca de 19.000 anos BP) e a uma ocupação mais antiga (durante o Gravettense), na qual se registam vestígios de uma cabana, em cujo interior forma feitas pequenas lareiras.
O estudo microscópico dos traços conservados nos utensílios de pedra lascada indica que alguns eram as barbelas de constituíam a parte cortante das armas de caça. Outras eram ferramentas utilizadas nas actividades domésticas ligadas ao tratamento da caça, outros ainda usaram-se para cortar ou transformar madeiras, ossos e peles.

A Rocha 1 do Fariseu é um dos mais importantes painéis do Vale do Côa, quer pela quantidade de motivos gravados (86), quer pelo facto de ser a única rocha insculturada que até hoje foi identificada associada a camadas arqueológicas de época paleolítica, que a cobriam parcialmente e continham várias peças de indústria lítica, bem como restos de fauna.

 

A escavação arqueológica que permitiu identificar o painel e a estratigrafia associada, forneceu também um conjunto de placas decoradas com motivos incisos, o maior conjunto de arte móvel do território nacional.
Estes factos permitiram a obtenção das primeiras datações arqueológicas absolutas de sedimentos associados à arte paleolítica do Vale do Côa, estabelecendo-se a idade mínima do painel gravado: 14.500 anos antes do presente.


 

 
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